StatGol

Metodologia

Cada número do StatGol tem uma conta por trás. Esta página é a conta — inclusive as partes em que preferimos não mostrar número nenhum.

O que é nosso e o que vem da fonte

Nem todo número aqui é calculado por nós, e misturar as duas coisas seria o primeiro jeito de enganar sem mentir. A divisão é esta:

As fórmulas

Ritmo por minuto
Ataques perigosos dos dois times somados, divididos pelos minutos decorridos de jogo.
Gráfico de pressão
O fornecedor manda um índice de dominância a cada 30 segundos, com um valor por time. Tiramos a média por minuto de (casa menos visitante) e desenhamos isso: barra para cima quando o mandante domina, para baixo quando é o visitante. Acima de 6 a barra satura de propósito — o gráfico serve para ler a partida, não para registrar recordes.
Pressão dos últimos 15′
A média desse mesmo índice, por time, nos últimos 15 minutos de relógio de jogo. O intervalo não entra na conta.
Aceleração
O ritmo da janela recente dividido pelo ritmo do jogo inteiro. Em cada uma das duas pontas, a atividade é contada como ataques perigosos mais 3 vezes os chutes no gol — um chute no gol pesa 3 ataques perigosos, e esse número é uma escolha nossa, não uma constante da natureza.
1,0 significa que o time mantém o próprio ritmo; 1,5, cinquenta por cento acima; 0,6, quarenta por cento abaixo.

Quando um número não aparece

Traço em vez de número não é falha da tela. São três situações, e em todas preferimos não mostrar nada a mostrar algo que não se sustenta.

  1. A liga não tem aquela estatística. Ligas menores chegam sem xG, sem ataques perigosos ou sem chutes. Quando a fonte manda zero numa liga sem cobertura, também convertemos para traço — zero e “não medido” são coisas diferentes.
  2. Houve pouca coisa no jogo até aqui. Abaixo de 8 de atividade acumulada, o índice de aceleração não é publicado: dividir por um número muito pequeno produz variações enormes a partir de um único lance.
  3. A janela acabou de atravessar o intervalo. Este é o caso que exige explicação mais longa, e é o da próxima seção.

A regra do começo de cada tempo

O fornecedor entrega, além dos totais da partida, versões “dos últimos 5 minutos” e “dos últimos 15 minutos” de algumas estatísticas. São elas que alimentam o índice de aceleração, e são elas que o painel esconde em certos minutos.

O motivo: essas janelas são truncadas no início de cada tempo. O ponto de referência nunca volta para antes do apito daquele tempo. Então, aos 47 minutos, a janela de 15 minutos não contém quinze minutos — contém os dois que correram desde o intervalo, exatamente como a de 5.

Isto não é dedução nossa. É a descrição do próprio fornecedor, que autorizou a citação:

“The reference point can never go back before the start of the current half. (…) Clock 46:00–50:59: both the 5-minute and the 15-minute window start at the beginning of the second half, so d_5 and d_15 are equal by construction. 51:00–60:59: d_5 is a true 5-minute window, while d_15 is still limited to the second half only. From 61:00: both windows are full.”

Vale igual no 1º tempo, na prorrogação, e para todos os pares dessas estatísticas: ataques, ataques perigosos, chutes no gol, chutes para fora e escanteios. Por isso o painel não publica métrica derivada dessas janelas antes de 6′ e 16′ no 1º tempo, e antes de 51′ e 61′ no 2º — os limites que o fornecedor indicou como seguros.

Como chegamos a isso — e o que erramos no caminho

Notamos que o índice de aceleração vinha absurdamente baixo logo depois do intervalo. Passamos a gravar uma leitura por minuto, por jogo, e a medir com que frequência as duas janelas entregavam o mesmo número. A tabela é a medição de agora, 251 partidas, já com as faixas cortadas na fronteira que o fornecedor descreveu — e com o que a regra manda esperar declarado ao lado de cada faixa:

Faixa Jogos Leituras Janelas iguais Esperado pela regra
1º tempo, 25–40′ 226 3610 0% distintas
2º tempo, 46–50′ 204 651 98% iguais
2º tempo, 51–60′ 227 2219 9% em parte
2º tempo, 70–85′ 229 3578 0% distintas

Contando apenas as leituras em que a janela de 15 minutos registrou alguma coisa. A coincidência parcial de 51–60′ são os jogos de pouca atividade: ali a janela de 5 minutos já é inteira e a de 15 ainda não, mas quando não houve nada a mais para contar as duas devolvem o mesmo número. Nas faixas em que as duas janelas são inteiras, a coincidência desaparece — é esse o comportamento que a regra descreve, e é por isso que ela pode ser desmentida.

A medição estava certa. A nossa explicação dela estava errada. Concluímos que as janelas eram contadas em tempo real de relógio e que o intervalo entrava na conta, e escrevemos no código que isso não tinha explicação alternativa. Tinha.

Foi o fornecedor quem apontou a falha no raciocínio: um intervalo de cerca de quinze minutos produz exatamente a mesma coincidência nas duas hipóteses. O nosso teste não sabia separá-las, e nós afirmamos que sabia. A diferença entre as duas só apareceria com um intervalo mais curto ou mais longo que o normal — caso que não ocorre.

A regra prática do painel quase não mudou, mas o motivo mudou, e com ele o alcance: passou a valer também para o início do 1º tempo, que antes passava livre. Perguntar custou um e-mail e corrigiu uma afirmação que estava no produto.

Deixamos o erro escrito aqui de propósito. Uma página de metodologia que só mostra os acertos não é metodologia; é propaganda com tabela.

O que continuamos vigiando

A descrição acima é verificável, então verificamos: o coletor registra as leituras e um comando confere, nos jogos reais, se as faixas continuam se comportando como descrito. Se a fonte mudar o cálculo sem avisar, aparece ali antes de aparecer na sua tela.

Duas ressalvas que o fornecedor acrescentou e que repassamos: enquanto o relógio ainda marca 45 e alguma coisa, a referência pode cair no 1º tempo; e não há tratamento especial para VAR, lesões ou paralisações — a janela segue o relógio da fonte, e para quando ele para.

Com quanto atraso

São dois números, e publicar só um seria meia-verdade. Relemos a fonte a cada 30 segundos. A tela busca o servidor a cada 3 segundos, então uma leitura nova aparece em até cerca de 3 segundos depois de chegar.

A esses dois soma-se o tempo que o fornecedor leva para registrar o lance em campo, que não controlamos e não medimos. Na prática, entre o lance e a tela há algo entre alguns segundos e um minuto. O painel não é transmissão ao vivo e não substitui assistir ao jogo.

Quando a fonte falha, recuamos: dobramos a espera a cada tentativa, até oito minutos entre uma e outra. Durante um recuo o painel avisa que a fonte está oscilando e mostra de quando é a última leitura válida.

O que o StatGol não mede

Lista tão importante quanto a das fórmulas, e raramente publicada:

O que não fazemos, por decisão

Medições desta página apuradas até 2026-10-08. Encontrou um erro? Escreva — corrigir aqui vale mais que ter razão.